A importância da representatividade no cinema

O cinema, e todos os outros tipos de produções audiovisuais, são responsáveis por influenciarem gerações e servem como exemplo para muitos de nós, desde a primeira infância. Personagens de filmes e animações povoam o imaginário infantil, e os mais jovens se inspiram em super-heróis, princesas, e todo outro tipo de arquétipo presente nas tramas que assistem. O cinema é arte, portanto, não se pode negar seu poder transformador e reflexivo na sociedade. Todo gênero, etnia, orientação sexual, e tantas outras vertentes humanas devem e merecem ser representadas com respeito nas telonas.

Separamos uma lista de filmes que quebraram alguns padrões estabelecidos, mostrando personagens que raramente vemos em papéis de destaque, com histórias incríveis e recheadas de representatividade. Confira:


Pantera Negra
De acordo com o agregador de críticas Rotten Tomatoes, o longa Pantera Negra é o melhor filme já lançado do MCU, com impressionantes 97% de aprovação dos especialistas. Muitos podem discordar desse julgamento, mas é inegável que T’Challa (Chadwick Boseman), Shuri (Letitia Wright), Nakia (Lupita Nyong’o) e muitos outros, fizeram história no cinema. Primeiro, não é comum vermos super-heróis negros nas telonas, muito menos ainda, como protagonistas. O reino fictício de Wakanda é rico e possui uma tecnologia própria e muito avançada, as heroínas de lá são fortes e inteligentes, e os personagens que surgiram nesse núcleo ainda ganharão espaços muito mais importantes nas novas produções do MCU. Wakanda para sempre!

A Garota Dinamarquesa
A primeira mulher transgênero a ser submetida a uma cirurgia de redesignação sexual foi a dinamarquesa Lili Elbe, que teve parte de sua história contada no longa A Garota Dinamarquesa. Interpretada no filme pelo ator Eddie Redmayne, Lili nasceu sob o nome de Einar Wegener, e foi descobrindo, ao longo de sua vida, que o gênero ao qual foi designada ao nascer, não a representava. Lili passou a maior parte de sua vida casada com Gerda Wegener (Alicia Vikander), quem a apoiou durante seu processo de transição. Após a morte de Lili, Gerda continuou retratando-a em suas pinturas, talento que ambas compartilhavam. Redmayne concorreu ao Oscar por sua interpretação de uma das pioneiras da comunidade trans, trazendo para o protagonismo a história de uma mulher muito à frente de seu tempo.


Minha Mãe é Uma Peça 3
Os filmes da trilogia Minha Mãe é Uma Peça sempre abordaram, de forma despretensiosa, assuntos importantes, como a homossexualidade. No terceiro longa, o personagem Juliano (Rodrigo Pandolfo) dá um passo adiante na relação com seu namorado (Lucas Cordeiro), e os dois se casam – em uma cena que levou boa parte dos espectadores às lágrimas. Temos também a divertida Marcelina (Mariana Xavier), personagem que construiu ao longo dos filmes uma história de empoderamento e combate à gordofobia. De acordo com um levantamento do portal G1, as piadas sobre o corpo da personagem não existem mais no último longa. Segundo o seu protagonista e idealizador, o ator Paulo Gustavo, elas foram eliminadas por um processo natural da sociedade: “Coisas que eu poderia falar antes, eu não falaria mais hoje. Muita coisa que brinquei há dez anos, eu já não acho mais graça”, revela o intérprete de Dona Hermínia.

Moonlight: Sob a Luz do Luar
Ainda que temáticas LGBT+ estejam cada vez mais presentes no cinema, a simbologia da homossexualidade em um contexto marginal contida em Moonlight: Sob a Luz do Luar é de uma representatividade ainda pouco vista. O jovem Chiron, menino negro que protagoniza o longa, se pergunta diversas vezes sobre quem ele é, e seu lugar em um mundo onde o racismo e a homofobia infelizmente se fazem presentes. Ele é constantemente reprimido em todos os ambientes que frequenta, e o que ele acaba não verbalizando por conta dessa opressão, diz muito sobre o caminho que a sociedade ainda precisa trilhar na luta contra o preconceito. O fato do longa ter sido o ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2017, trouxe uma luz ainda maior sobre a questão, tão importante na atualidade.

Mulan
O longa ainda não foi lançado nos cinemas, mas pelo que já vimos em trailers e o que sabemos através de entrevistas, ele promete ser um grande presente para a cultura chinesa. O live-action da animação Mulan, de 1998, trará para as telonas a lenda da guerreira oriental, mas muitas características do desenho não estarão presentes nessa nova adaptação. Segundo a diretora Niki Caro, o filme não será um musical, e também não terá a presença do alívio cômico do dragão Mushu, em respeitos às tradições da China. A atriz sino-americana Liu Yifei interpretará a personagem título, e promete representar uma das histórias mais tradicionais de seu país de maneira brilhante.

Estrelas Além do Tempo
Mulheres na ciência já seria um ótimo tema. Mulheres na NASA, mais marcante ainda. Agora, mulheres afro-americanas trabalhando na Agência Espacial, enquanto ainda existiam leis raciais segregatórias nos Estados Unidos – e vencendo todos os preconceitos implícitos – é incrível! Com uma trama baseada em uma história (quase desconhecida, até então) real, Estrelas Além do Tempo mostra as dificuldades que Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) enfrentaram para conseguirem ascender na hierarquia e conquistarem o respeito dentro da organização na qual trabalhavam. As três matemáticas de fato existiram, e foram fundamentais na corrida espacial, durante o período da Guerra Fria. Todas já faleceram, infelizmente, mas seus legados foram eternizados neste importante marco da história do cinema.

Fonte: Ingresso.com

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