Não teve beijo, mas teve muito mais! (Contém spoilers)

Após críticas à Minha Mãe é uma Peça 3 pela ausência do beijo no casamento de Juliano, o filme estreia com grandes lições de inclusão, aceitação e família – seja ela como for.

Vou confessar: eu mesmo publiquei criticando o Paulo Gustavo quando saiu a notícia de que não teria beijo no casamento do Juliano em Minha Mãe é uma Peça 3 (Caso queira conferir, só clicar aqui). Acontece que, vivemos em um país onde, novela das 9, horário nobre, permite que cenas de sexo hétero, xingamentos, machismo e afins sejam explícitos e quando um casal gay é formado, não pode se beijar para “preservar a família” ou “salvar as criancinhas”. E isso nos torna automaticamente defensivos (e às vezes agressivos).

Mas, quando algo como Minha Mãe é uma Peça 3 acontece, precisamos ceder e reconhecer um trabalho MUITO bem feito, que vai MUITO além de uma comédia. Logo na primeira semana em cartaz, o filme já bateu o recorde de bilheteria, no Brasil, de Star Wars, por exemplo, que é uma saga mundialmente reconhecida, além de ter sido o final de uma trilogia. Ou seja, era mega esperado.

Pensando nisso, imagina quanta gente – hétero, gay, bi, evangélico, umbandista, branco, negro, alto, baixo…- não viu esse filme desde então? E todos eles viram a mesma coisa na tela: uma mãe (que é, na realidade, uma drag queen), e um pai separados, mas ainda amigos, vendo a filha engravidar de um cara no primeiro encontro – e está ok – além da notícia de que seu filho – gay- vai casar com seu primeiro namorado – e está ok também. Sim, o filme se trata disso: famílias tradicionais que geram famílias nada tradicionais que, pasme, são tão famílias quanto.

E a parte mais legal: O filme retrata a dura infância de uma criança homossexual, nomes sem gênero, estilos de vida, sexo, envelhecimento… todos os tabus que a sociedade evitou por anos e que hoje paga por isso.

Uma cena em particular (SPOILER ALERT!) mexeu demais comigo: Dona Hermínia relembra com Juliano a festa do Sítio do Pica Pau Amarelo em que ele, criança, queria ir vestido de Emília e não de Visconde de Sabugosa. E, lá, ele é rejeitado por isso – por mães e crianças. Ela, super mãe, vira o jogo e ressalta sua sensibilidade em escolher um personagem tão icônico para se vestir. Eu não passei por isso na minha infância, mas imagina quantas crianças não passaram. Imagina quantas mães vetaram a vontade da criança. Imagina quantas deixaram eles serem quem são, mas não estavam lá para proteger. Imagina.

Bom, quem já viu, teve crises de riso e chorou… como eu. Quem ainda não, recomendo correr para assistir. E quando assistir, reflete sobre o filme, sobre a mensagem e mais: sobre os créditos e o tapa na cara da sociedade que é a exposição feita pelo Paulo Gustavo em mostrar que sua família é uma família. Ponto.

Ps.: Não teve beijo gay. Não teve beijo hétero. Não teve beijo. O amor é mostrado no filme de uma forma totalmente não-sexual.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *